Cerimônia Não é Terapia — Mas Pode Ser Terapêutica

Cerimônia e terapia têm naturezas distintas. Entenda por que a integração entre as duas pode ser o caminho mais potente.

Ambientes diferentes, propósitos diferentes

Participar de uma cerimônia com Ayahuasca ou outras medicinas da floresta pode ser profundamente transformador. Mas é importante lembrar: cerimônia não é terapia. Embora possam gerar efeitos terapêuticos, os dois espaços têm naturezas distintas e não substituem um ao outro.

O que é uma cerimônia?

A cerimônia é um espaço ritualístico, geralmente conduzido por um líder espiritual, xamã ou facilitador, onde a medicina é ofertada com cânticos, rezas, elementos simbólicos e coletividade. O foco é espiritual, energético e simbólico. É um território de abertura e revelação.

E o que é a terapia?

A terapia é um espaço clínico de escuta, elaboração e integração. É onde o que foi vivido pode ser acolhido, interpretado e transformado em sentido. É onde as emoções ganham nome, os traumas são trabalhados e a experiência é colocada em diálogo com a vida cotidiana.

Onde está o risco de confundir?

  • Achar que só participar de rituais já é o suficiente para transformar a vida
  • Acreditar que os facilitadores sempre estão preparados para lidar com emergências psíquicas
  • Projetar na cerimônia a função que pertence à escuta clínica: elaboração, acompanhamento, cuidado prolongado

O potencial terapêutico da cerimônia

Mesmo não sendo terapia, a cerimônia pode sim ter efeitos terapêuticos profundos. Ela pode abrir percepções, liberar emoções reprimidas, trazer insights potentes. Mas o que se abre, precisa ser cuidado. E é aí que a psicoterapia entra como aliada.

Quando a combinação é potente

  • Quando a cerimônia é feita com preparo, intenção e respeito
  • Quando há espaço posterior para integrar e acolher o que foi vivido
  • Quando a pessoa está acompanhada por profissionais que conhecem o universo das medicinas

Conclusão: cada espaço com sua força

Cerimônia é caminho de alma. Terapia é caminho de elaboração. Juntas, podem formar uma espiral de transformação profunda. Mas é preciso reconhecer os limites de cada uma, para que nenhuma seja sobrecarregada com funções que não pode cumprir.